[16] Fichamento - Não Objeto

  Fichamento: Teoria do não-objeto  

Ferreira Gullar propõe que a verdadeira obra de arte não é um "objeto" no sentido utilitário, funcional ou conceitual, mas sim um “não-objeto”: uma entidade que só se realiza plenamente na relação vivida com o espectador. O não-objeto não se deixa reduzir a uma definição ou conceito lógico, pois sua existência é fenomenológica, inseparável da experiência direta que provoca.
O objeto de arte tradicional (inclusive o concreto) é ainda submetido à lógica do objeto-utilitário ou da representação.

 ★ A arte moderna falha quando busca definir-se exclusivamente em termos formais ou racionais; isso reduz sua potência experiencial.

 ★ O não-objeto é uma forma que não representa, não é funcional e não se explica, mas sim acontece como experiência no tempo e no espaço.

 ★ Influências fenomenológicas (sobretudo Merleau-Ponty) são evidentes: a experiência estética é um evento sensível e incorporado, e não uma apreensão intelectual.

 ★ O Neoconcretismo, ao contrário do Concretismo, busca instaurar uma arte viva, cuja significação não se esgota no objeto, mas na relação com o outro (o espectador-participante).

 ★ O "não-objeto" é, portanto, uma tentativa de devolver à arte sua dimensão existencial, onde o sentido não está pré-estabelecido, mas se dá na interação.


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